sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Isto - Fernando Pessoa

Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.


Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
.
Por isso escrevo em meio
Do que não
(Tela de Luis Badosa - Homenagem a Fernando Pessoa)

Flor de Primavera


Flor de primavera infantil sem til
Que persiste em desabrochar
Contendo em seu exímio íntimo
A vontade de amar

Amar a vida que revida
A ausência do crescer
Que se faz mulher no seu desabrochar
A cada amanhecer

Amanhecer de ternura
Que não possui a loucura
De nosso tédio viver
Mais que se faz eterna
No néctar do prazer

Prazer de poesias inspiradas
De momentos inesquecíveis
Que proporciastes com teu primor
Na beleza da vida
Naqueles que buscam o amor!

Amor de terna paixão
De labores vividos
Nos jardins da vida
Por muitos não cridos

Que tudo passa eu sei
Mas na base do meu coração
Quero escrever seu nome
Em versos ou numa canção!

Argemiro Julião
28/01/08